A quem devo contar?

Logo após a comunicação do diagnóstico pode ser aconselhável desabafar com uma pessoa próxima, a fim de obter apoio para essa crise aguda.

Telefonei de imediato às minhas duas amigas e disse-lhes que deviam vir logo. Fiquei tão chocada. Cristina, 55 anos

Saí do consultório e entrei logo em contacto com o meu companheiro. Analisámos a situação. Ajudou-me muito. Miguel, 40 anos

Infelizmente esta comunicação pode levar, por vezes, a situações desagradáveis ou decepcionantes e não pode voltar atrás com a informação sobre a sua infecção. Se ainda não tiver a certeza do que esta notícia significa para si, é melhor falar apenas com pessoas em quem tenha realmente confiança e com cujo apoio possa contar. Quando tiver uma opinião clara sobre a sua infecção, ser-Ihe-á mais fácil falar disso com pessoas em quem tenha menos confiança, se assim o desejar.

Não se precipite e recorra, se necessário, às ofertas de aconselhamento e apoio.

Logo no início senti necessidade de contar isso a muita gente, para atenuar a dor e o medo. Mas ainda não o fiz. Nem sequer a minha mãe sabe. Participei em encontros de um grupo de VIH-positivos, e todos disseram que não contariam a muita gente. Tudo muda de repente, particularmente no trabalho, onde as relações pessoais são menos profundas. Muitos sentem-se repelidos. – Eu procurei uma psicoterapeuta logo no início. Eu queria falar com alguém, apesar de tudo. É bom. Reduz a pressão de ter de se falar sobre isso com os outros. Tiago, 34 anos

Eu escolhi a via da abertura, foi essa a minha via para resolver o assunto. No meu grupo de homossexuais contei logo, aos meus pais só após 3 ou 6 meses. Daniel, 37 anos

E não esqueça: A informação de que é VIH-positivo está sujeita às disposições de protecção de dados. Ou seja, ninguém pode falar sobre isso a terceiros sem o seu consentimento. Vale a pena chamar expressamente a atenção do seu interlocutor ou da sua interlocutora, de que a sua esfera pessoal está protegida a nível legal. Em todo o caso, os médicos guardam segredo. Estão sujeitos ao dever de sigilo médico.

Se viver numa relação, terá de decidir de que forma pode evitar uma transmissão do VIH ao seu parceiro ou parceira (sexo seguro).

Caso tenha dificuldade ou não consiga iniciar um diálogo com o seu parceiro ou parceira, pode pedir apoio ao seu médico ou aos técnicos da Associação Positivo.

Pensei, de início, não contar por enquanto nada à minha esposa. Mas tínhamos dormido juntos entretanto. Disse-lhe, então, logo que ela chegou a casa. Tiago, 34 anos