Um relatório recente da ONU dá conta de que o número de seropositivos em Portugal aumentou 15% entre 2001 e 2007, sendo agora de 34 mil. Mas as estimativas mais altas admitem que possam ser 63 mil. Entretanto, o Bloco de Esquerda apresentou um projecto de lei para acabar com a discriminação dos infectados com HIV em áreas fundamentais como o trabalho, saúde, seguros e educação.
A nível mundial, o número de infectados com Sida estabilizou em 2007 nos 33 milhões, segundo um relatório da ONU divulgado esta terça-feira. Entre 2001 e 2007, o número de novos casos passou de três milhões para 2,7 milhões, registando uma redução de dez por cento.

A ONU destacou ainda a redução no número de mortes provocadas pela Sida, que em dois anos passou de 2,2 milhões para dois milhões, e o aumento da prevenção, sobretudo na procura de preservativos por jovens com múltiplos parceiros.

No entanto, a organização alertou que já existem os meios necessários para enfrentar a doença, mas falta vontade politica para investir nessa prevenção.

Com efeito, a Sida continua a ser a principal causa de morte em África, onde se encontram 67 por cento das pessoas infectadas em todo o mundo, sendo que em países como Moçambique, China, Indonésia e Rússia o número de infectados continua a aumentar.

Em Portugal, e segundo o mesmo relatório, cerca de 34 mil adultos e crianças (maiores de 15 anos) estavam infectados no ano passado com o vírus da Sida, sendo que as estimativas mais baixas apontam para 20.000 e as mais altas para 63.000. Em 2001, as estimativas da ONUSIDA para adultos e crianças falavam em 29.000 infectados em Portugal. O melhor cenário apontava para 18.000 e o pior para cerca de 51.000. O aumento foi assim de 15% em seis anos.

Entretanto, o Bloco de Esquerda apresentou um projecto de lei para acabar com a discriminação dos infectados com HIV em áreas fundamentais como o trabalho, saúde, seguros e educação.

O Bloco quer impedir “a recusa ou o condicionamento de aquisição, arrendamento ou subarrendamento de imóveis, assim como a recusa na celebração de contratos de seguros”. Na verdade, os portadores de HIV/sida, tal como acontece com pessoas que são portadoras de outras deficiências ou com um risco de morte acrescido, acabam por ficar muitas vezes impossibilitadas de recorrerem ao crédito para compra de habitação. Noutros casos as instituições bancárias concedem o crédito mas os seguros são significativamente mais caros dos que os de clientes com melhores condições de saúde.

O Bloco de Esquerda lembra também que “as características da discriminação têm sofrido mudanças de forma e conteúdo ao longo dos anos”.E que, “se até ao princípio dos anos 90, esta se erigia de forma directa e ostensiva, de então para cá tem assumido um modo mais insidioso mas nem por isso menos violento”. Exemplo disso mesmo são situações de discriminação no mundo do trabalho, na escola e nos próprios serviços de saúde.

Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada socialista, garantiu esta quarta-feira ao Diário de Notícas que o PS “está sempre disponível a analisar todas as propostas que vão ao encontro do combate à discriminação, designadamente o apresentado pelo Bloco para proibir a discriminação dos portadores de HIV/sida”. No entanto, disse também não conhecer o diploma do Bloco em detalhe e remeteu para depois das férias uma posição do grupo parlamentar do PS.

Fonte: Esquerda.Net

Comments are closed.