As probabilidades de estar empregado e de ser capaz de executar actividades diárias aumentou num período de três anos ou mais em adultos sob terapêutica anti-retroviral em três zonas da África do Sul, conforme relatou Sydney Rosen e os seus colegas em Julho, num estudo apresentado na Quinta Conferencia IAS sobre Patogénese, Tratamento e Prevenção, na Cidade do Cabo em África do Sul.

Enquanto que a melhoria da qualidade de vida e a redução da mortalidade são já consequências provadas dos programas de terapêutica anti-retroviral, a sustentabilidade a longo prazo em países de recursos limitados terá mais possibilidade de ser vista positivamente quando a terapêutica permitir aos indivíduos manterem-se economicamente activos.

A análise económica e os estudos de custo-eficácia podem fornecer dados importantes aos ministérios das finanças de países de recursos limitados, pois podem influenciar as decisões orçamentais relacionadas com a saúde e as preocupações sociais.

A monitorização do número de indivíduos que voltam ao trabalho ou à escola como consequência da terapêutica anti-retroviral, é importante para justificar e fundamentar as despeças orçamentais e para prever o impacto potencial da disseminação do tratamento no crescimento e desenvolvimento de um país.

Sydney Rosen e colegas do Centro Internacional de Saúde e Desenvolvimento da Universidade Boston empreenderam um estudo de coorte prospectivo de cinco anos sobre as consequências económicas e sociais da terapêutica anti-retoviral na África do Sul.

Foi angariada uma amostra aleatória de 1069 doentes adultos que, ou estavam à espera de tratamento ou estavam em tratamento há menos de seis meses, em três centros sul-africanos, nas províncias de Gautenh e Mpumalanga.

A angariação dos participantes foi realizada em 2005-2006. Foram efectuadas até quatro entrevistas num ano durante as visitas de rotina à clínica, para avaliar a capacidade de executar actividades rotineiras, as condições gerais, o emprego, fontes de rendimentos e despesas da obtenção de tratamento.

Os dados analíticos (até Setembro de 2008) incluem todas as entrevistas conduzidas desde o primeiro mês (30 dias) antes do começo da TAR e até três anos (1080 dias), depois de iniciar a TAR.

As mulheres perfaziam aproximadamente 80% (845) da coorte com uma média de idade de 33,6 anos e 37,4 anos para os homens. Vinte e dois por cento das mulheres e 19% dos homens estavam empregados, 21% das mulheres e 22% dos homens estavam à procura de emprego ou desempregados. Cerca de 50% tinham alojamento permanente ou viviam num apartamento.

A prevalência de dor, fatiga, náuseas e problemas de pele decresceram de forma consistente ao longo dos três anos sob terapêutica anti-retroviral. As probabilidades de dor ou fatiga desceram de 74% para 29% e de 75% para 11% respectivamente, no que diz respeito às náuseas e problemas de pele, as probabilidades desceram de 31% para 4% e de 50% para 9% respectivamente.

A inaptidão para executar tarefas rotineiras baixou firmemente de 50% para 20% durante o primeiro ano e de 20% para 8% após três anos. Não foi observada nenhuma diferença consoante o sexo e o género.

A probabilidade de ter emprego aumentou durante o período da terapêutica anti-retroviral de 29% no mês anterior ao inicio da TAR para 47% depois dos três anos. Foram observadas diferenças significativas depois de um ano e meio sob o efeito da medicação anti-retroviral. Não foi registada nenhuma diferença de género, mas a probabilidade de estar empregado aumentava com a idade.

Os autores sublinharam limitações importantes que incluíam uma alta taxa de abandono do programa de tratamento, bem como uma taxa significativa de abandono do seguimento.

Adicionalmente a recolha de dados (entrevistas) dependia de situações imprevisíveis, tais como encontrar o doente no dia da sua visita de rotina à clínica. O número de entrevistas por doente, bem como o intervalo entre estas pode variar consideravelmente. A análise não incluiu doentes que faleceram, descontinuaram o tratamento ou que foram transferidos para outros centros.

Os autores concluem então que “a melhoria dos resultados económicos parece ser substancial no final do primeiro ano de TAR, melhoria essa que permanece ou aumenta durante o segundo ou terceiro ano.”

Referência
Rosen S et al. Economic outcomes of antiretroviral treatment for individual patients: three-year follow up in South Africa. Fifth IAS Conference on HIV Pathogenesis, Treatment and Prevention, Cape Town, South Africa, abstract WEPED 194, July 2009.
Fonte: Aidsmap.com
Endereço web: http://www.aidsmap.com/pt

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