A prevenção parece ter-se tornado um dos temas mais importantes da 12aConferência Europeia sobre SIDA, que abriu oficialmente em Colónia a 11 de Novembro.

Na abertura da conferência de imprensa, a Prof. Francoise Barre-Sinoussi disse que actualmente a prioridade da investigação básica sobre o vírus é impedir o VIH de estabelecer uma infecção crónica nas pessoas.

Retomando o tema da prevenção, o Prof. Jurgen Rockstroh da Universidade de Bona realçou que, na Europa, 50% das infecções não estão diagnosticadas.

Aos media foi referido que a redução dos casos não diagnosticados e a disponibilização do tratamento para o VIH e dos cuidados de saúde iriam melhorar os resultados individuais e ajudariam a prevenir novas infecções.

Pesquisa básica: melhores medicamentos, melhor prevenção

Mais de 4000 delegados reuniram-se em Colónia para conhecer os desenvolvimentos mais recentes da epidemia do VIH no continente europeu.

O tratamento actual para a infecção pelo VIH é altamente eficaz e os médicos estão cada vez mais confiantes que os doentes na Europa tenham a oportunidade de ter uma esperança de vida quase normal. A Prof.aBarre-Sinoussi, no entanto, disse à imprensa que um dos principais objectivos da investigação básica sobre o VIH é de encontrar novos alvos para os medicamentos anti-retrovirais e até modos de erradicar o VIH.

Sugeriu que a investigação sobre os chamados “controladores de elite” – pessoas seropositivas que permanecem livres dos sintomas da infecção e têm uma carga viral muito baixa – poderia, não apenas melhorar o tratamento para o VIH, mas também beneficiar a prevenção.

VIH na Europa

A importância de diagnósticos precoces foi clara no resumo do Prof. Rockstroh dos aspectos clínicos em evidência na conferência.

Cerca de metade de todas as infecções do VIH na Europa não estão diagnosticadas, sendo que este número ascende a 79% em alguns países da Europa de Leste.

O Prof. Rockstroh afirmou, que é essencial um incremento no número de testes realizados para o VIH para controlar a epidemia no continente. No entanto, as leis que criminalizam a transmissão e a exposição ao VIH, e níveis elevados de estigma em alguns países foram identificados como obstáculos que dificultam a realização do teste.

Vários outros temas chave da conferência foram realçados na conferência de imprensa.

· VIH e envelhecimento. Está a tornar-se cada vez mais claro que o VIH pode causar as doenças do envelhecimento, tais como doenças cardíacas, dos rins e hepáticas. Um uso adequado da terapêutica anti-retroviral pode reduzir o risco de tais doenças, mas isto é apenas possível se a pessoa conhecer o seu estatuto. Também será apresentada na conferência a investigação sobre possíveis complicações do tratamento do VIH e a importância de as equipas multidisciplinares de especialistas disponibilizarem cuidados de saúde aos doentes.

· Acesso ao tratamento. Cerca de 80% dos doentes diagnosticados nos países mais ricos da Europa estão a tomar medicamentos anti-VIH, em comparação com apenas 5% dos nos países da Europa de Leste com epidemias mais graves. A Conferência Internacional sobre SIDA de Viena terá como tema central a epidemia na Europa de Leste e o contexto será definido na conferência de Colónia.

· Co-infecções. Um terço dos doentes na Europa ocidental esta co-infectada com o vírus da hepatite C, um número que aumenta para 70% na Europa de Leste onde o uso de drogas injectáveis está a alimentar a epidemia. Isto significa que a doença hepática é uma causa importante de doença e morte nestas populações e que é urgente a disponibilização de novas terapêuticas para a hepatite C. Apesar disso, houve pouca investigação que incluísse novos medicamentos em doentes co-infectados. Possíveis abordagens futuras serão o tema de uma sessão especial da conferência.

· Disponibilização dos melhores cuidados possíveis. Serão apresentadas novas linhas de orientação europeias para a infecção pelo VIH. Irão incluir o tratamento anti-retroviral, a monitorização médica e o tratamento das co-infecções hepáticas.

Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Fonte: Aidsmap.com
Endereço web: http://www.aidsmap.com/

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