“A prevalência da sida em Portugal continua a ter os mais altos níveis da Europa e o único país com pior estatística do que o nosso é a Estónia, no Leste europeu, o que significa que não conseguimos pôr em marcha nestes anos todos um projecto nacional seguro e eficaz para reduzir a prevalência dos casos de VIH/Sida”, disse à agência Lusa o presidente das I Jornadas Nacionais Ético-Jurídicas sobre Infecção VIH/Sida, que se realizarão em Fevereiro.

No final de uma audiência com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em Belém, o professor alertou que Portugal regista, “anualmente, um crescimento muito grande da epidemia, particularmente em jovens e em mulheres, para além do grupo de risco agora muito atingido: o grupo de homossexuais masculinos”.

“O alerta máximo neste momento na Europa é feito para os jovens, para os imigrantes e para os homens que fazem sexo com outros homens e, portanto, a epidemia da sida não é uma epidemia estável, mas uma epidemia que, ao longo do tempo, tem variações ao nível social”, referiu.

“Ainda que Portugal tenha conseguido eficazmente abrir a possibilidade de as pessoas fazerem os testes da SIDA, saber se são ou não seropositivos, e de ter posto em marcha a terapêutica segundo a qual todo o doente tem o direito gratuito aos tratamentos, a verdade é que na parte de educação e informação – que são as bases da prevenção – não temos um projecto nacional e as falências são múltiplas”, salientou.

O especialista espera das jornadas,organizadas pelo Centro de Bioética da Universidade de Coimbra e pela Fundação Portuguesa contra a sida, resultem algumas respostas. discutir “a problemática da falta de consciencialização, dos direitos e deveres dos seropositivos, os problemas da discriminação e os aspectos jurídicos”, Joaquim Machado Caetano disse esperar que do encontro resultem algumas respostas para um problema que é acompanhado desde 1985 no país.

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