E como estrangeiro/a ?

Todas as pessoas seropositivas que vivem em Portugal têm direito, independentemente do seu estatuto de residência, a assistência médica e devem também poder tirar partido dos tratamentos médicos actuais.

Todos os anos há umas centenas de pessoas na Suíça que ficam a saber que estão infectadas pelo VIH. Há pessoas de África, Ásia, América do Norte, América Central e América do Sul, das Caraíbas, Europa, etc., que vivem em Portugal e são VIH-positivas. Independentemente da sua nacionalidade, outras pessoas do seu país estão na mesma situação que você.

Inculcaram-nos a ideia de que a Sida era um castigo. As pessoas aceitaram o cancro, mas o VIH… Há famílias onde não se fala disso. – O VIH nada tem a ver com a religião. Pode afectar a todos, independentemente do sexo, da idade – simplesmente todos. Não há razão para ter vergonha. Aisha, africana, 38 anos,

1. Ninguém fica a saber da sua infecção sem o seu consentimento!

A informação de que alguém é VIH-positivo é confidencial. Ninguém pode falar do seu diagnóstico a terceiros sem o seu consentimento.
Os médicos estão sujeitos ao dever de sigilo médico. O seu médico e o pessoal auxiliar não podem contar a ninguém aquilo que você disser no consultório ou no hospital, nem divulgar os resultados das análises: nem ao seu parceiro ou à sua parceira, nem à Polícia de Estrangeiros, nem aos colaboradores de centros para refugiados, nem às entidades patronais, nem a mais ninguém. A menos que dê consentimento para tal.

Eu sei que há pessoas que não podem encontrar-se na sala de espera. E tomamos medidas para que tal não aconteça. Mas trato muitos e muitas migrantes, e não só devido ao VIH. Quando alguém está na sala de espera, ninguém sabe o que o trouxe aqui. P. G., médico

Assistentes de consultórios médicos, pessoal farmacêutico, pessoal auxiliar, tradutores, e todas as pessoas que trabalham em serviços de aconselhamento – consultores de centros de apoio contra a Sida, de centros de apoio social, de organizações de migrantes, bem como os colaboradores dos seguros de saúde – estão também sujeitos ao dever de sigilo profissional. O seu diagnóstico está bem protegido pelo dever de sigilo. As informações a esse respeito não serão divulgadas quando recorrer aos serviços mencionados.

2. As despesas de um tratamento médico necessário estão sempre cobertas durante a estadia em Portugal

O acompanhamento médico de uma pessoa infectada pelo VIH custa muito dinheiro. Estas despesas não são, contudo, suportadas por si, independentemente do seu estatuto de residência em Portugal.

Se tiver dúvidas ou problemas em obter cuidados de saúde, queira entrar em contacto com a Associação Positivo para obter ajuda especializada.

3. O que fazer no caso de dificuldades linguísticas e de comunicação?

É muito importante que possa comunicar com o seu médico. Caso haja dificuldades
de comunicação, deve procurar apoio. Pode sempre trazer alguém consigo que traduza. Se não conhecer ninguém ou preferir não trazer alguém conhecido como intérprete, entre em contacto com os nossos serviços.

4. Tenha coragem para procurar apoio

Há em Portugal algumas organizações de ou para migrantes. Estas podem transmitir-lhe um pouco do calor da pátria, apoiam e aconselham no caso de dificuldades de todo o tipo: problemas jurídicos, problemas matrimoniais, etc.

A maioria destas organizações não são especializadas em questões relativas ao sistema de saúde e, em especial, à infecção pelo VIH. O seu médico pode geralmente aconselhá-lo melhor sobre estes temas. No caso de perguntas relativamente ao sistema nacional de saúde , bem como a outras organizações, os técnicos da Associação Positivo podem prestar-lhe um apoio útil.