Transmissão sexual:

Em cerca de 80% dos casos, a maioria, o VIH é transmitido por via sexual. Riscos potenciais :

  • Relações sexuais por via vaginal não protegidas (para os dois parceiros),
  • Relações sexuais por via anal não protegidas (para os dois parceiros),
  • Relações sexuais por via oral : esperma ou sangue menstrual em contacto com a boca.

Medidas de Precaução (sexo seguro):

  • Usar sempre um preservativo em caso de penetração,
  • No caso do sexo oral: não deixar o esperma ou sangue menstrual entrar em contacto com a boca ou engoli-lo.

Partilha de Seringas:

O VIH pode ser contraído como consequência da partilha de seringas ou de outros untensílios usados para a injecção de drogas por via intravenosa.

Medidas de Precaução:

  • Usar sempre seringas novas. (Tendo em conta os riscos de transmissão de vírus como o VHC, use sempre uma seringa nova em cada injecção, bem como o seu próprio filtro, colher e água).

Transmissão mãe-filho:

É possível que durante a gravidez, parto ou aleitamento a mãe transmita o VIH ao seu filho. Podem ser tomadas diversas medidas para reduzir esse risco.

Transmissão sanguínea:

A transmissão por via de sangue ou produtos sanguíneos em ambiente médico é pouco provável nos dias de hoje. Estes são objecto de controlo rigoroso.

Basta uma relação sexual desprotegida com uma pessoa seropositiva para que exista risco de transmissão. Quantos mais frequentes este tipo de relações, maior será a probabilidade de se infectar.

Para evitar o risco de infecção, é absolutamente necessário que, a cada novo contacto sexual, insista no uso de preservativo.

Numa relação estável a dois, é importante falar com o parceiro sobre eventuais relações sexuais ocasionais com terceiros não protegidas que podem acontecer, ou a ruptura de um preservativo.

Se continuar a ter relações sexuais com o seu parceiro sem protecção, coloca em perigo a vida dele. Mesmo que não seja possível uma discussão aberta sobre o assunto, ou que tema que isso comprometa a relação, deverá fazê-lo.

Se achar que o seu parceiro mantém relações não protegidas com outras pessoas, fale com ele. Tente falar-lhe de uma situação hipotética, onde houvesse uma situação destas e como se poderiam proteger um ao outro de uma infecção e como poderiam praticar sexo seguro até poderem fazer os dois um teste de despistagem três meses após a exposição ao risco. Não hesite em procurar ajuda na Associação Positivo caso necessite de mais esclarecimentos.

Um casal pode decidir deixar de fazer sexo seguro de forma permanente, quando nenhum dos dois está infectado no início da relação e que sejam sempre fieis ou respeitem as regras do sexo seguro no momento de relações sexuais exteriores ao casal.

Não esqueça também o risco de transmissão através de partilha de material de injecção de drogas.

Quais são os cuidados a ter no sexo oral para não haver infecção?

  • Não deixar o esperma entrar em contacto com a boca. Não engolir o esperma.
  • Não deixar o sangue menstrual entrar em contacto com a boca. Não engolir o sangue menstrual.

Quais são os riscos de fazer sexo oral a uma mulher?

Existe um risco de infecção se a sua parceira estiver com o período. A infecção é possível quando o sangue menstrual entra em contacto com a boca. Segundo os conhecimentos actuais, as secreções vaginais não apresentam qualquer risco para esta prática.

Quais são os riscos de fazer sexo oral a um homem ?

É importante que o esperma não entre em contacto com a boca e que não engula o esperma. Combine com o seu parceiro para que se retire antes da ejaculação ou que lhe dê um sinal claro antes de ejacular. Caso ele ejacule na sua boca, cuspa-o e lave a boca várias vezes com água tépida. Não engula o esperma.

Como mulher corro algum risco se alguém me fizer sexo oral?

Não corre nenhum risco.

Se for seropositiva, existe um certo risco para o seu parceiro se estiver com o período. É possível que haja infecção se o sangue menstrual entrar em contacto com a boca do seu parceiro.

Segundo os conhecimentos actuais, as secreções vaginais não apresentam qualquer risco para esta prática.

Como homem corro algum risco se alguém me fizer sexo oral?

Não corre nenhum risco.

Se for seropositivo, existe um risco real para a seu parceiro se se ejacular na boca dele. É importante não se ejacular na boca dele.

Existe mais uma regra, para além das relacionadas com o sexo oral: em caso de penetração vaginal ou anal não protegida, existe um risco de transmissão para os dois parceiros. É por esta razão que se deve usar sempre o preservativo (masculino ou feminino).

O coito interrompido (retirada do pénis antes da ejaculação) não garante protecção contra o VIH.

Do ponto de vista estatístico, as mulheres têm, à escala mundial, um risco mais elevado que os homens de se infectar pelo VIH quando praticam relações sexuais vaginais não protegidas.

Existem evidências que a mulher se encontra mais vulnerável ao VIH por questões biológicas (anatomia do órgão sexual, bem como mais superfície de mucosa) e por questões sociais (nem sempre podem tomar a decisão de se protegerem, têm menos acesso a informação sobre prevenção).

As circunstâncias que se traduzem em risco de infecção mais elevado – e estes são para os dois sexos – são:

  • A presença de outras doenças sexualmente transmissíveis (que também podem ser assintomáticas e, consequentemente, não detectáveis);
  • A carga viral, ou seja, a infecção por VIH do parceiro não tratada num estado avançado ou muito inicial (primo-infecção);
  • As relações anais;
  • O número de contactos sexuais;
  • As doenças dos órgãos genitais que atingem a mucosa.

Não se esqueça de insistir no uso do preservativo. Tenha sempre consigo preservativos. O preservativo feminino também protege contra o VIH.

Sim, quando há relações sexuais não protegidas com penetração, o risco de infecção é real, mesmo que não haja ejaculação. De facto, o esperma e os líquidos vaginais não são os únicos veículos do VIH. Um contacto próximo das mucosas pode ser suficiente.

O VIH não se transmite pelo beijo, mesmo com a língua. As carícias, o contacto corporal e a masturbação recíproca não apresentam nenhum risco. O VIH também não se transmite nas casas de banho ou pela utilização dos mesmos utensílios de cozinha.

  • O VIH não transmite em casa de banho públicas, saunas ou piscinas, assim como agraves de maçanetas, microfone do telefone, etc…
  • Também não se transmite através da picada de insectos, mordida de um cão ou outros animais domésticos.
  • O VIH não é transmitido nem pelo médico, nem pelo dentista, nem no hospital. Também não corre nenhum risco no cabeleireiro, na pedicure ou manicura, desde que respeitem as normas de higiene aplicáveis.
  • Os piercings e as tatuagens também não são perigosos desde que as pessoas que os fazem respeitem todas as normas de higiene aplicáveis.
  • Não existe nenhum perigo em apertar a mão de uma pessoa seropositiva, abraçá-la ou acariciá-la.
  • O VIH não se transmite através de beijos, mesmo que sejam com a língua.
  • A masturbação recíproca também não é perigosa. Cortes na ponta dos dedos ou lesões deste tipo, muito pequenas ou já cicatrizadas não apresentam nenhum perigo.
  • O VIH não se transmite pela urina ou suor. Contudo a transmissão de outros agentes patogénicos, como o vírus da hepatite A, é relativamente alta neste caso.

Designa-se por “janela imunológica ou serológica” o período (semanas) que se segue a uma eventual infecção. Durante este tempo, a presença do vírus no organismo não pode ser detectada, nem excluída por procedimento médico. Esta “janela” varia de indivíduo para indivíduo. Em algumas pessoas, a infecção pode ser detectada após duas semanas, ao passo que noutras, será necessário mais tempo. Só um resultado negativo após três meses pode garantir que não houve nenhuma infecção.

Depois de uma situação em que o risco é indubitável só existe uma possibilidade: num período de 72 horas logo após a exposição ao risco, dirija-se a um hospital central.
Será feita uma avaliação do risco segundo sua descrição da situação e poderá ser-lhe proposto uma profilaxia pós-exposição (PPE). Trata-se de um tratamento médico de várias semanas, com substâncias muito potentes, que reduz de forma considerável o risco de transmissão – todavia não o exclui. Quanto mais cedo iniciar este tratamento (a seguir situação de risco), maiores as possibilidades dele ser eficaz.

O recurso a uma PPE justifica-se nas seguintes situações:

1. A pessoas implicada está infectada pelo VIH – e isto é um facto. Ela não é tratada ou tem um tratamento anti-retroviral que não é totalmente eficaz e:

  • teve com ela um relação vaginal ou anal não protegida,
  • teve uma relação oral não protegida com ejaculação do parceiro seropositivo na sua boca,
  • usou material de injecção que pertence a uma pessoa seropositiva.

2. A exposição ao risco teve lugar num quadro de violação.

Nota: O recurso à PPE pode ser igualmente equacionada noutros casos em que, apesar de não haver certeza sobre o estatuto serológico do parceiro, o médico julgue benéfico.

Não se feche no medo, peça aconselhamento. Uma consulta na Associação Positivo permitir-lhe-á saber se a situação em que julga ter sido infectado apresentava um risco real de transmissão. Aproveite a ocasião para se informar sobre a possibilidade de fazer um teste. Se decidir espontaneamente fazer um teste ao VIH ou se o seu médico o aconselhar a fazer, informe-se previamente dos diversos aspectos e possibilidades desse teste. Neste caso também pode beneficiar de aconselhamento pré e pós teste na Associação Positivo.

Apesar das declarações mediáticas feitas regularmente pelos meios de comunicação, não existe ainda nenhum vislumbre de uma vacina contra o VIH. É verdade que as vacinas sempre foram e têm sido objecto de investigação. Contudo os estudos ainda estão em fases muito precoces e partimos do princípio que as substâncias actuais e já testadas, nos permitem ter uma boa protecção parcial contra o VIH (uma eficácia de 40 a 60% seria um sucesso significativo). Mesmo que se descobrisse algo de novo em algum ensaio clínico de vacinas, seria preciso esperar seis a oito anos para que essa vacina estivesse disponível no mercado. Com efeito, para além da fase de desenvolvimento e de ensaios, todos os medicamentos novos têm ainda que ser submetidos a numerosos testes, para garantir o seu perfil de tolerância e a segurança do seu emprego, bem como reforçar a sua eficácia. A Associação Positivo segue com atenção as pesquisas sobre vacinas e comunicará sempre qualquer avanço notável.O sexo seguro continua a ser a única forma de se proteger contra a infecção pelo VIH.