O abuso de álcool aumenta o risco de doença cardiovascular nos homens com VIH

O abuso de álcool aumenta o risco de doença cardiovascular nos homens infectados pelo VIH, de acordo com as afirmações feitas por investigadores dos EUA num artigo publicado na edição online do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes.

“Consumos perigosos e abuso ou dependência de álcool estavam significativamente associados ao aumento da prevalência de doenças cardiovasculares quando comparados com consumos pouco frequentes ou moderados”, comentaram os investigadores.

Os investigadores enfatizam que a associação entre abuso de álcool e doença cardiovascular mantinha-se quando analisaram tanto os factores de risco tradicionais para esta doença, como as características relacionadas com os doentes infectados pelo VIH.

É possível que o álcool esteja relacionado com alguns problemas de saúde das pessoas infectadas pelo VIH. Estes incluem fraca adesão à terapêutica anti-retroviral, doença hepática, progressão da infecção pelo VIH e aumento do risco de doença cardiovascular.

A associação entre o abuso e dependência de álcool, e doenças tais como doenças cardíacas e AVC em pessoas com seronegativas é bem conhecido.

Porém, não se sabe muito sobre esta relação em doentes seropositivos.

Assim, os investigadores conceberam um estudo com 4 743 homens veteranos nos EUA. Cerca de metade dos doentes (2 422, 51%) eram seropositivos para o VIH. Foi obtida informação sobre o uso de álcool , bem como dados relativos aos tradicionais factores de risco para a doença cardiovascular.

Os autores do estudo definiram que o consumo perigoso seria a ingestão de mais de 14 bebidas alcoólicas numa semana, e que a ingestão de seis bebidas numa só sessão, mais de uma vez por mês, seria considerado consumo periódico excessivo.

O consumo perigoso ou abuso e dependência de álcool são comuns tanto nas pessoas seropositivas para o VIH como nas pessoas seronegativas.

Houve uma prevalência mais alta de vários factores de risco tradicionais entre os doentes seronegativos em comparação com os doentes seropositivos para o VIH. Tal incluía colesterol alto, diabetes, tensão arterial alta e índice de massa corporal elevado (tudo p <0,001). Em contraste, os indivíduos com VIH tinham maior probabilidade de fumar, de estar infectados com o vírus da hepatite C e de ter doença hepática (tudo p<0,001).

O consumo perigoso (ratio de probabilidade [RP], 1.35; 95% CI, 1.01-1.79) ou dependência de álcool (RP = 1.51; 95% IC, 1.09-2.09) estavam associados com o aumento do risco de doença cardiovascular nas pessoas seropositivas para o VIH, o mesmo não sucedeu com as pessoas seronegativas.

Tanto para os homens seropositivos como para os seronegativos, factores de risco tradicional, tais como, idade, colesterol, tensão arterial alta e tabagismo estavam também significativamente associados com o aumento de risco de doença cardiovascular.

Foi efectuada uma análise estatística adicional que incluiu somente os doentes infectados pelo VIH e controlou os factores de risco para a doença cardiovascular.

Estes demonstraram que o consumo perigoso estava significativamente associado a insuficiência cardíaca (PR=1.74; 95% IC, 1.04-2.91), que a dependência de álcool estava relacionada com a doença cardíaca (PR=1.76; 95% IC, 1.06-2.64), e que o consumo passado de álcool (definido como uma ou mais bebidas sempre), aumenta o risco de AVC (PR=1.78; 95% IC, 1.24-2.54).

O consumo intermitente excessivo também demonstrou aumentar o risco de doença cardiovascular nas pessoas infectadas pelo VIH (PR=1,30; 95% IC, 1,02-1,66).

“No presente estudo, realizado em veteranos infectados pelo VIH, houve um aumento significativo da prevalência de doença cardiovascular quando há consumo perigoso e abuso de álcool”, escreveram os investigadores. Sugerem que isto pode ser explicado pelo aumento de lípidos associados ao abuso de álcool. Todavia, destacam que investigações prévias nesta coorte de pacientes “também se demonstrou uma relação temporal e de dose-resposta entre o consumo de álcool e a adesão à medicação.”

“O efeito do álcool pode ser mais pronunciado entre as pessoas infectadas pelo VIH”, concluem os investigadores.


Referência
Freiberg MS The association between alcohol consumption and prevalent cardiovascular diseases among HIV-infected and HIV-uninfected men. J Acquir Immune Defic Syndr (online edition), 2009.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos VIH/SIDA

 
Fonte: Aidsmap.com
www.aidsmap.com
 
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