Como proteger

Uma infecção pelo VIH despoleta a proliferação no corpo, por um lado, de vírus e, por outro lado, de anticorpos ao VIH que o organismo fabrica para se defender do vírus.

Os testes de despistagem do VIH utilizados actualmente em Portugal detectam componentes do vírus (antigénio p24) e anticorpos ao VIH no sangue.

Se não se detectam nem componentes do vírus, nem anticorpos, o resultado do teste será “negativo”, ou seja, não existe infecção pelo VIH.

Se se detectarem componentes do vírus ou anticorpos, o resultado do teste é “positivo”: houve infecção pelo VIH. Sendo assim um teste ao VIH pode excluir a possibilidade de uma infecção ao VIH (“negativo”), ou detectá-la (“positivo”).

Os testes de despistagem ao VIH não detectam uma infecção com exactidão a menos que tenham passado três meses após a situação de risco.

Efectivamente, no início da infecção estão presentes vírus e anticorpos ao VIH no sangue em concentrações variáveis e por vezes muito fracas para serem detectadas pelo teste.

Se se obtiver um resultado “negativo”antes do final dos três meses, não é certo que o resultado seja mesmo “negativo” (ou seja, que não houve infecção), pois o teste pode ainda não ter detectado uma eventual infecção. Depois dos três meses, um resultado “negativo” é suficientemente fiável.

Existem testes de despistagem combinados que são extremamente sensíveis e reagem com grande precisão, ou seja, podem detectar a presença de uma infecção após algumas semanas. Se o teste de despistagem indica uma reacção, isso quer dizer que o resultado é “reactivo”.

Este resultado deve ser, sem excepções, verificado por um teste de confirmação através de uma nova recolha de sangue, sendo que teste de confirmação utiliza outro método de despistagem. Para além disto, caso exista infecção, realiza-se ainda um teste com a finalidade de analisar a quantidade de vírus no sangue.

Este processo por etapas garante que não existam diagnósticos positivos errados.

Somente quando o teste de confirmação é positivo é que podemos falar de um resultado positivo. Os testes ao VIH utilizados actualmente permitem detectar os anticorpos de todos os tipos de vírus (VIH-1 e VIH2, bem como todos os seus subtipos).

Regra geral, o resultado do teste é obtido em cerca de uma hora (teste rápido) ou cerca de uma semana (teste através de recolha de sangue) dependendo do local onde é feito.

O teste ao VIH é normalmente efectuado em laboratório tendo como base a recolha de sangue. Paralelamente a isso, nos CAD (Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH) utilizam-se cada vez mais os testes rápidos que dão resultados fiáveis em menos de uma hora. Mas, independentemente do tipo de teste, só depois dos três meses após a situação de risco é que a infecção pode ser detectada com certeza.

O teste ao VIH é gratuito caso seja feito num CAD ou prescrito pelo seu médico.

Se o resultado do teste é positivo, isso não significa que a pessoa tenha SIDA. Os resultados dos testes ao VIH não dizem se e quando a pessoa vai entrar em estado de SIDA.

Dada a importância destes testes, é necessário agir de forma responsável em relação a estes, sendo por isso importante que se verifiquem as seguintes condições:

  • Ninguém deve ser submetido a um teste sem o seu consentimento prévio. Deve-lhe ser transmitida informação completa e objectiva sobre o teste e os possíveis resultados deste. Os testes compulsivos ou sem o conhecimento do próprio não são legais e podem ser considerados como uma violação dos direitos da pessoa.
  • É recomendado que antes do teste se faça um aconselhamento apropriado à pessoa. Esta é a única forma de assegurarmos que a pessoa está ao corrente de informações importantes.
  • O teste nos CAD é anónimo, contudo sempre que seja prescrito pelo médico, este é nominal, ou seja identificado.
  • A comunicação de um eventual resultado positivo deve ser acompanhada de um aconselhamento apropriado.

A Associação Positivo pode dar-lhe mais informações sobre os locais onde pode efectuar um teste ao VIH.

Aconselhamento Pré e Pós-teste

As pessoas fazem o teste de despistagem por razões variadas: para estarem informadas da sua saúde no caso de uma infecção eventual, por querem ter relações desprotegidas (sem preservativo) com o seu parceiro(a), pelo desejo de engravidarem, por exibirem sintomas por detrás dos quais se pode esconder uma infecção oportunista, para terem acesso a certo tipo de seguros ou produtos bancários, etc.

Fazer um teste ao VIH pode revelar-se útil quando há uma gravidez, para que a mãe comece uma terapia anti-retroviral, caso o resultado seja positivo, e reduza assim o risco de transmissão mãe-filho.

Todas as pessoas que pensam em fazer o teste devem ser aconselhadas. Na Associação Positivo e nos CAD este aconselhamento é assegurado.

Durante o aconselhamento, devem responder-se às seguintes questões:

  • Houve realmente uma situação de risco? (Quais são as vias de transmissão possíveis? As medidas de prevenção foram suficientes?).
  • Quais as vantagens do teste? Em que medida é fiável?
  • Quais são as consequências de um eventual resultado positivo e quais as medidas de prevenção possíveis?
  • A incerteza do resultado é mais pesada que um eventual resultado positivo? Qual o apoio desejado e qual o apoio disponível?
  • Quais as possibilidades de tratamento para as pessoas infectadas pelo VIH/SIDA.

Quer o teste seja feito ou não e independentemente do seu resultado, é importante saber proteger-se de uma infecção pelo VIH

O Teste Negativo

Se o resultado do teste de anticorpos ao VIH é negativo, isso significa que não foi detectado nenhum anticorpo contra o VIH, o que significa que não existe infecção pelo VIH. Contudo o teste só é fiável se for efectuado três meses depois da possível infecção. Se durante os três meses houve alguma situação de risco, não se pode ter certeza acerca do resultado do teste.

Um teste negativo feito após uma situação de risco não significa que se seja imune ao VIH ou que se seja mais resistente que as outras pessoas, significa que teve sorte, pelo que é muito importante que continue a praticar sexo seguro.

O teste ao VIH não é uma medida de protecção contra uma infecção ao VIH.

Teste Positivo – O que fazer?

A ideia que as pessoas têm da infecção pelo VIH mudou ao longo dos últimos anos. O progresso científico permitiu a muitas pessoas viverem bem por mais tempo, o que não acontecia há alguns anos atrás, mesmo nos países mais desenvolvidos. No entanto muitas pessoas continuam a encarar o resultado positivo como uma grande mudança na sua vida.

Surgem medos: doença, dor, morte prematura, medo da reacção dos amigos e da família, entre outros. Como se não bastassem os seus próprios problemas, muitas pessoas têm ainda que lutar contra a sociedade que os descrimina, a incompreensão e a rejeição.

Por vezes, não se tem força suficiente para assumir um resultado positivo, o que é compreensível. A confrontação consigo mesmo pode ser muito dolorosa. Falar com pessoas de confiança das suas angústias, do seu desespero e da sua tristeza pode ajudar. A Associação Positivo propões várias formas de apoio, tais como grupos de auto ajuda, apoio inter-par, apoio psicológico entre outros.

Não existe nenhuma forma de fazer recuar a infecção ou de a tratar completamente. Contudo, existem cada vez mais medicamentos que atrasam o desenvolvimento da infecção durante um número incerto de anos.

Não existe uma receita universal de comportamentos que garantam uma esperança de vida maior com o vírus, porém muitas pessoas infectadas provam diariamente que é possível ter uma vida muito preenchida, mesmo sendo seropositivo. A infecção pelo VIH não é, por isso, um motivo para se resignar e deixar de fazer planos para o futuro.

Cada pessoa, quando infectada pelo VIH, reage de forma diferente e, para cada uma, o significado de qualidade de vida difere. Trata-se simplesmente de encontrar o seu próprio caminho.

As numerosas recomendações conhecidas no que diz respeito à vida sã e equilibrada também são válidas para as pessoas infectadas pelo VIH, por exemplo, uma alimentação equilibrada pode contribuir para estabilizar o corpo e o sistema imunitário. As conclusões mais recentes a nível científico demonstram que, desde o início da infecção pelo VIH, é importante alimentar-se de forma equilibrada, prevenindo assim uma perda de peso.

A sexualidade é uma coisa importante na vida. Nos primeiros tempos que se seguem ao resultado positivo, muitos homens e mulheres infectados pelo VIH têm dificuldades com a sua sexualidade, porque, por exemplo, têm medo de contaminar alguém.

Não existe nenhuma razão objectiva para as pessoas seropositivas renunciarem à sua sexualidade. É possível ter uma boa sexualidade, mesmo respeitando as regras do sexo seguro, protegendo assim os parceiros(as) contra uma eventual transmissão.