Tratamentos médicos: aspectos mais importantes

Hoje vivo de uma forma completamente normal! Com algumas excepções. Alterei os meus objectivos. E tomo medicamentos duas vezes por dia – pelo que a ideia está sempre presente.
Martin, teste VIH positivo em Fevereiro de 2001, início do tratamento em Outubro
de 2001

As terapias combinadas contra o VIH permitem-me ajudar um paciente a controlar a sua doença mortal e possibilitar-lhe uma vida em grande medida normal. – O desenvolvimento das terapias combinadas contra o VIH é uma das coisas mais incríveis na minha carreira de médico.
S. N., médico

Os medicamentos actualmente disponíveis contra o VIH são comprimidos, cápsulas, xarope ou pó, que de momento têm de ser tomados diariamente uma, duas ou três vezes. Apenas a combinação de vários medicamentos exerce um efeito suficiente. Fala-se, assim, de terapias combinadas contra o VIH. Estes medicamentos dificultam a multiplicação do vírus nas células do sistema imunológico. Não podem, no entanto, expulsar o vírus IH do corpo. Ou seja, não podem curar definitivamente a infecção pelo VIH.

Os medicamentos retardam, no entanto, de forma decisiva, a evolução de uma infecção pelo VIH. Mantêm o vírus sob controle. Podem, assim, no melhor dos casos, parar o processo de enfraquecimento do sistema imunológico e contribuir mesmo para que um sistema imunológico já enfraquecido se possa fortalecer. A expectativa de vida das pessoas com uma infecção pelo VIH pode, graças a estes tratamentos, ser por vezes semelhante ou igual à das pessoas sem infecção pelo VIH.

No entanto, estes tratamentos têm de ser levados a sério. De seguida, alguns aspectos importantes que deve conhecer relativamente a estas terapias combinadas.

1) De acordo com o conhecimento actual, a terapia combinada contra o VIH é um tratamento a longo prazo. Uma terapia combinada actua somente enquanto os medicamentos forem tomados regularmente e somente durante este período. Em princípio os comprimidos têm de ser tomados durante a vida inteira.

2) Uma terapia combinada é em regra necessária, se o sistema imunológico já estiver enfraquecido, ou seja, na maior parte dos casos, alguns anos após a infecção pelo vírus. É, portanto, importante que em primeiro lugar saiba qual é o seu estado de saúde actual, e como este evolui . Pode obter as devidas informações durante as consultas regulares no seu médico.

3) Para que uma terapia combinada contra o VIH tenha sucesso, é essencial que os medicamentos sejam sempre tomados exactamente segundo o plano previsto. Não deve esquecer-se de tomar os medicamentos – uma, duas ou três vezes por dia, sete dias na semana e também durante as férias. Caso contrário, existe o perigo do vírus IH deixar de reagir aos medicamentos e do tratamento deixar de surtir efeito. Deve questionar-se, antes do início do tratamento, se está preparado para o fazer, se pode e pretendeobservar as condições do mesmo. Nesta altura, deve discutir com o seu médico qual o melhor plano de tratamento para o seu caso. As suas necessidades pessoais desempenham um papel tão importante como as recomendações científicas e médicas.

4) Tal como acontece com outros medicamentos fortes, a terapia combinada contra o VIH tem muitas vezes efeitos colaterais (por exemplo náusea, diarreia, cansaço, erupções cutâneas, perturbações do sono). Alguns destes efeitos colaterais surgem, sobretudo, logo após o início do tratamento e desaparecem ao cabo de algumas semanas; outros (p. ex. problemas de distribuição de gordura, nevralgias) manifestam-se somente após um longo período de tempo. Geralmente os efeitos colaterais podem ser evitados hoje em dia, e convém informar-se bem sobre eles antes do início de um tratamento. O objectivo é que, a longo prazo, não sinta quaisquer efeitos colaterais do tratamento.

5) As terapias não exercem sempre o mesmo efeito em todas as pessoas. Pode ser que esteja infectado por vírus, sobre os quais certos medicamentos já não actuam. Se esta suspeita existe, os testes de resistência podem indicar-lhe quais as opções possíveis e adequadas ao seu caso.